Longe de superar

Há coisas que não se superam, ou pelo menos não se superam facilmente. E o fim da nossa relação é o mais cruel e real dos exemplos.

Quando todos me elogiam o sorriso no rosto e os sucessos alcançados é difícil explicar que nada disso tem sentido ou me faz feliz.

Quando todos olham para mim como se eu fosse um exemplo de superação, é difícil explicar que não superei coisa nenhuma. É difícil contar todas as noites de choro.

E é por ser tão difícil que guardo para mim. 

Sei que já devia ter superado, mas há sentimentos que por muito que se lute não se esmorecem. Sei que já não devia querer aquele beijo, mas há beijos que não se esquecem. Pelo contrário, quanto mais tento esquecê-lo mais vivo se torna no meu coração. Sei que já devia conseguir ser indiferente ao brilho daquele olhar, mas quando um olhar significa tanto é difícil não lembrar.

É difícil não lembrar tudo o que vivemos.

E é difícil o pôr do sol… Porque todos os dias, ao final da tarde, surge no horizonte para me lembrar que era o nosso momento.

A saudade dói-nos na alma de uma forma que não se consegue explicar quanto todos julgam que já nada nos afeta, simplesmente porque não falamos das nossas dores.

Quando sei que já se esgotaram todos os conselhos e palavras de apoio, resta-me lidar com a dor da saudade. Porque mesmo tendo os melhores amigos que podia ter,  há dores que só eu tenho que conseguir ultrapassar.

Mas dói.

Dói ter que pôr um sorriso no rosto quando todas as noites choras agarrada a uma almofada.

Dói ter que continuar a fazer sorrir toda a gente quando na verdade o motivo do meu sorriso me deixou. E provavelmente não voltará.

Dói ouvir cada sílaba da frase “Foi difícil mas tu já o esqueceste”.

Não esqueci. Nem vou esquecer.

Foi tudo demasiado especial e quando assim é não se esquece nunca.

Mesmo no dia em que eu finalmente for capaz de lidar com esta dor, sei que não vou esquecer.

Há um espaço no meu coração que não me pertence só a mim. É tanto meu como dele, do meu campeão. E esse espaço não vou deixar que seja de mais ninguém, nunca. Porque é nosso. 

Queria muito dizer que estou bem. Queria muito dizer que consegui superar. Mas ainda há demasiadas dúvidas e demasiados “ses” a apertar o coração.

Quero acreditar que as noites de choro estão a chegar ao fim. Quero acreditar que irei sorrir tão verdadeiramente com os lábios como com a alma. Mas até lá são dias difíceis.

Dias em que me sinto sozinha, sem forças, sem chão. Os mesmos dias em que vou dizer a toda a gente que estou bem.

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